domingo, 16 de outubro de 2011

Menos brutal que a música

Documentário sobre a banda Ratos de Porão, apesar de leve, é um prato cheio para os admiradores e pesquisadores do punk rock 

Banda. Jão, remanescente da primeira formação, João Gordo,
Boka e Juninho 
– o caçula do Ratos de Porão

Felipe Pedrosa
Os documentários, geralmente, são arquitetados sobre as imagens de arquivo – que, consequentemente, resgatam uma época pregressa e de poucos recursos audiovisuais. O longa-metragem "Guidable: A verdadeira história do Ratos de Porão", porém, é mais atrativo pela cronologia das entrevistas, ora com os fundadores do grupo, ora com os atuais integrantes. 

Lançado em 2008 e com direção de Fernando Rick, o filme flui de maneira leve. Mas, apesar do audiovisual ser mais límpido do que a música do Ratos de Porão, ele é brutal na importância musical e rico em informações, que vagavam, sem sombra de duvidas, apenas nas mentes dos precursores do punk no Brasil. 

Formada no fim dos anos 1980, o Ratos de Porão despontou na cena punk integrando o festival “O Começo do Fim do Mundo”, em São Paulo, – evento responsável em reunir outras bandas do gênero. Apesar da quebradeira financeira dos rapazes, o grupo foi convidado – ainda sem a presença do João Gordo – a integrar a primeira coletânea punk brasileira, a “FUB”, recheada ainda com o primeiro registro sonoro do Cólera. 

Comentando álbum por álbum, a história e curiosidades dos discos se fundem a entrada e a saída de músicos; ao consumo abusivo de drogas e álcool; e a assinatura com a Eldorado, que reverberou em apresentações nos programas da Angélica e do Gugu Liberato, até os lançamentos independentes e o mais atual, pela Deckdisc, o “Homem Inimigo do Homem” (2006). 

A importância musical do Ratos de Porão, aliás, vai desde o diálogo do punk rock com o metal do Sepultura – João Gordo e os irmão Cavalera viraram muito amigos nessa época – até a banda ser a primeira da América Latina a lançar um disco do gênero musical, o “Crucificados pelo Sistema”, em 1984. 

A narrativa eficaz dos músicos não necessitaria, a princípio, de outros convidados. Entretanto, nomes como Redson Pozzi (1962-2011), fundador do Cólera, e Igor Cavalera, ex-sepultura, enriquecem o documentário.


Curiosidade: "Guidable" é, conforme o vídeo explica, um termo criado pelos integrantes da banda para definir confusão mental, bagunça generalizada ou, simplesmente, um "sei lá". Ótimo para substituir a palavra FODA-SE.

 
O longa-metragem está disponível no YouTube.



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

"Os Monstros". Filme cearense é cansativo


Com diálogo fraco, algumas cenas duram cerca de seis minutos 

Felipe Pedrosa
Aproveitar um festival de cinema para conferir a cara das novas produções independentes pode ser, acredite se quiser, uma roleta-russa. Assim, eu embarquei na sessão  “Os Monstros” – longa-metragem exibido dia 2 de outubro na Mostra Cine BH 2011, no Palácio das Artes.

O filme – dirigido por Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes e Ricardo Pretti – traz a história de dois amigos que trabalham com a captação de áudio e um terceiro que “toca”, totalmente desafinado, uma espécie de clarineta. Os dois primeiros estão insatisfeitos na nova empreitada e a esposa do "instrumentista" o coloca para fora de casa.  Assim, os três se reaproximam. O enredo, até aí, justifica a sinopse do filme: “Nenhum homem é um fracasso quando tem amigos”. Mas com o discorrer da trama, ela apresenta-se cansativa e pouco criativa.

O enredo – interessante em alguns momentos – busca dialogar com o espectador, que, provavelmente, sentirá a mesma repulsa mostrada pelo elenco secundário do vídeo. A exemplo, o “músico” faz um show em um bar e todos os fregueses vão embora. Conforme aconteceu na sala, alguns expectadores se levantaram e deram adeus à produção cearense. É nesse joguinho que o longa vai sendo arquitetado.

Adiante, um terceiro amigo retorna para a terra natal e reencontra com os outros companheiros. O novo protagonista é um “guitarrista” incapaz de acertar uma nota se quer. Com a sua chegada, pode-se imaginar o que está guardado nos próximos minutos.

Salvando um ou dois quadros, “Os Monstros” mostra um cinema de observação, em que a câmera se mantém parada em uma única cena por minutos. O suporte, embora seja cult, é cansativo e não gera nenhum prazer cinematográfico. Principalmente por permanecer longos minutos sem uma única ação e, por vezes, focalizado nos atores  não coincidentemente os próprios diretores.