quarta-feira, 21 de setembro de 2011

“É um vício”, diz Maria Rita

Linda. Maria Rita é impressionante no palco
Felipe Pedrosa
Maria Rita soube engrandecer o talento herdado da mãe – a fantástica Elis Regina. 

Ao discorrer dos últimos oito anos, ela lançou três álbuns arquitetados em composições de gênios pregressos, como Milton Nascimento e Rita Lee, e dos seus contemporâneos, destacando Edu Krieger e Marcelo Camelo, integrante do Los Hermanos – banda de férias por tempo indeterminado. 

O hermano, aliás, reinou em dois dos três títulos da paulista de voz poderosa e sensível. Em 2003, “Maria Rita” trouxe à luz as músicas “Cara Valente” e “Santa Chuva”, ambas inéditas, e registrou o sucesso “Veja Bem Meu Bem”, que integra o disco “Bloco do Eu Sozinho” (2001). No “Segundo”, de 2005, a intérprete gravou a faixa “Casa Pré-fabricada”, também do “Bloco”. 

Prestes a lançar seu quarto disco, intitulado “Elo”, Maria Rita assume ser fã do compositor carioca e revela que incluirá a canção “A Outra”, do disco “Ventura” (2003), no seu novo rebento. “Cantarolo essa música pelos cantos da minha casa há anos. Entrou no show pelo amor que tenho ao Camelo: minha alma pede as composições dele. É vício”, disse a artista, no material enviado a imprensa. 


O disco, que será lançado pela Warner, chega às lojas de todo o país no dia 22 de setembro.


Discografia da cantora:
"Maria Rita", 2003;
"Segundo", 2005;
"Samba Meu", 2007.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Falta potência sonora

Nada de especial, mas é bom ouvir suas novas composições

Prole. Última faixa do disco é cantada pelo filho do músico

Felipe Pedrosa
Letrista ímpar, o pernambucano José Paes de Lira vem à baila com seu primeiro disco solo, “Lira”. Após fincar uma pedra em cima dos treze anos com o Cordel do Fogo Encantado, transitar pelo cinema, teatro e literatura, o compositor veste-se da musicalidade pop e abandona os apetrechos regionais. 

Disponibilizado em seu site oficial no dia 11 de setembro, “Lira” traz 12 canções calcadas na arquitetura poética pertinente à Lirinha. Considerando que ele nunca prendeu-se a um estilo cronístico ou a metrificação de suas letras, o trabalho solo não é tão inovador como o esperado.

Transparecendo uma espécie de cordel psicodélico, o disco – que será lançado oficialmente no dia 1º de outubro – é palatável e suave. Mas peca pela falta de potência sonora. Em todas as músicas há uma valorização de guitarras, teclados e sintetizadores. É possível, aliás, esperar a avalanche de tambores logo após os primeiros versos de cada uma das faixas.


”Lira”, aparentemente, não veio para saciar a fome dos inúmeros fãs de Cordel do Fogo Encantado. O disco está mais para uma realização intimista e reafirmação da lírica visionária do músico.

Coletivo. Lirinha está sempre bem acompanhado – diga-se, principalmente, pela companhia da atriz Leandra Leal. Em “Lira”, não seria diferente. Além da produção, Pupillo (Nação Zumbi) participa praticamente de todas as faixas. O álbum ainda conta com a criatividade e talento de Bactéria (Mundo Livre s/a), Neilton (Devotos), Ângela Ro Ro, Otto, Luisa Maita, Fernando Catatau (Cidadão Instigado), Bozó, dentre outros.

Contudo, a participação mais valorosa é do músico Lula Côrtes, que faleceu em março passado. A sua última participação artística, tocando tricórdio, foi no álbum solo de Lirinha, na música “Adebayor”.

Vale ouvir. “Ela vai dançar”; “Sidarta”; e “Memória”.
Disco em: http://www.josepaesdelira.net/